
O acúmulo de fluidos em cavidades cirúrgicas é uma das principais causas de complicações no pós-operatório. Hematomas, seromas e infecções no sítio cirúrgico aumentam o tempo de internação, elevam os custos assistenciais e comprometem a recuperação do paciente. O dreno de Blake é um dos dispositivos mais utilizados para prevenir esse cenário, combinando eficiência de drenagem com menor trauma tecidual.
O que é o dreno de Blake?
O dreno de Blake é um dispositivo cirúrgico de silicone grau médico, projetado para drenagem ativa em sistema fechado. Seu diferencial estrutural está nos quatro canais longitudinais contínuos distribuídos ao longo do corpo do dreno, que garantem escoamento mesmo quando parte do dispositivo está em contato com o tecido. O centro sólido confere resistência estrutural e impede o colapso do dreno, problema comum em tubos convencionais com perfurações laterais.
O produto é radiopaco, atóxico, com área de drenagem de 30 cm identificada por marcação visual (olho negro),e reservatório tipo pera com válvula antirrefluxo nas capacidades de 100 e 200 ml. O silicone biocompatível torna a retirada menos traumática para os tecidos do que drenos de borracha ou com múltiplos furos.
A linha Dreno Blake Drenoset está disponível nos modelos 3,2 mm (10 FR),4,8 mm (15 FR) e 6,4 mm (19 FR),permitindo ao cirurgião selecionar a opção mais adequada de acordo com o procedimento e a necessidade clínica.
Indicações clínicas
O dreno de Blake é indicado em cirurgias com alta probabilidade de acúmulo de fluidos ou onde o monitoramento do débito é essencial para a avaliação clínica. As principais aplicações incluem:
- Cirurgias cardíacas: controle do débito mediastinal no pós-operatório imediato, onde a falha de monitoramento pode mascarar sangramentos ativos, conforme revisão integrativa publicada no Caderno Pedagógico (2026)
- Cirurgias torácicas: ressecções pulmonares e lobectomias, com posicionamento no espaço pleural
- Cirurgias abdominais de grande porte: gastrectomias, colectomias, histerectomias e cirurgias bariátricas
- Transplantes: prevenção de coleções no sítio operatório em pacientes imunossuprimidos
- Cirurgias plásticas e reconstrutivas: mamoplastias, abdominoplastias e reconstruções com retalho, onde o espaço morto subcutâneo favorece a formação de seromas
A escolha pelo dreno de Blake e a definição do seu posicionamento são decisões clínicas do cirurgião, baseadas no tipo de procedimento e no perfil do paciente.
Técnica de inserção
A inserção é realizada pelo cirurgião ao final do procedimento, ainda em campo estéril. O protocolo geral segue as etapas abaixo:
- Posicionamento do dreno na região de maior risco de acúmulo, por contraincisão ou pela própria ferida operatória
- Passagem com o trocater guia incluído no kit, facilitando a introdução sem trauma adicional
- Fixação do dreno à pele com fio de sutura não absorvível, prevenindo deslocamento acidental
- Conexão ao reservatório com pressão negativa, comprimido antes do acoplamento para garantir sucção ativa imediata
- Verificação da concavidade do reservatório como confirmação de vácuo efetivo
Cuidados pós-operatórios
O manejo correto do dreno no pós-operatório é responsabilidade compartilhada entre médico e equipe de enfermagem. O COREN-SP, no Parecer nº 035/2019, atribui ao enfermeiro a competência para ordenha, troca e retirada de drenos, condicionada à prescrição médica e à habilidade técnica comprovada. Os cuidados essenciais, alinhados ao que descreve a Artmed, são:
- Monitoramento do débito: mensurar e registrar volume, cor e aspecto do fluido a cada 6 ou 12 horas, conforme protocolo institucional. Variações abruptas devem ser comunicadas imediatamente ao médico.
- Avaliação do sítio de inserção: a cada avaliação, observar sinais de infecção local como hiperemia, edema, calor e dor. O curativo é trocado com técnica asséptica sempre que necessário.
- Manutenção do vácuo: verificar a concavidade do reservatório a cada avaliação. Esvaziar quando atingir aproximadamente metade da capacidade para preservar a eficiência da sucção.
- Fixação: confirmar que o dreno está seguramente fixado à pele, prevenindo tração durante movimentação do paciente.
- Orientação ao paciente: quando o paciente recebe alta com o dreno, a equipe orienta sobre esvaziamento do reservatório, sinais de alarme e cuidados com a pele ao redor do dispositivo.
- Critério de retirada: a remoção é definida pelo cirurgião com base na avaliação clínica e na redução do débito. Débitos inferiores a 30 ml em 24 horas são frequentemente utilizados como critério em cirurgias abdominais e torácicas, mas o protocolo institucional é sempre a referência final.
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Conteúdo informativo. A indicação, inserção e retirada do dreno de Blake devem ser realizadas por profissionais habilitados, seguindo os protocolos clínicos da instituição.
Perguntas frequentes
O dreno de Blake pode ser usado em qualquer cirurgia?
Não. A indicação depende do tipo de procedimento, da expectativa de débito e do risco de acúmulo de fluidos. A decisão é do cirurgião, com base na avaliação clínica e nas características individuais de cada paciente.
O paciente pode receber alta com o dreno?
Sim. Quando o volume drenado ainda não permite a retirada, mas o quadro clínico é estável, o paciente pode receber alta com orientações detalhadas sobre o manejo domiciliar, cuidados com o dispositivo e sinais de alerta que exigem contato com a equipe assistencial.
Qual o papel do enfermeiro no cuidado com o dreno?
O enfermeiro é responsável pelo monitoramento contínuo, pelos cuidados com o sítio de inserção, pelo registro do débito e pela orientação ao paciente. A ordenha e a retirada do dreno podem ser realizadas mediante prescrição médica e conforme protocolos institucionais, de acordo com o Parecer COREN-SP nº 035/2019.
